1 year of this life

domingo, janeiro 15, 2017



Há um ano atrás por esta hora estava com o coração completamente apertado e quase a sair-me pela boca enquanto lutava contra as lágrimas teimosas que me queriam saltar dos olhos. Lembro-me como se fosse hoje a angústia que senti, o medo, o tremer das pernas (que estavam mais bambas que duas varetas), a agitação e o calor e frio simultâneos.

Na noite anterior não queria ir dormir, não queria pois sabia que quando acordasse tudo iria estar diferente e que ao abrir os olhos ia ver no relógio que estava na hora de partir.

Aquele aeroporto será desde esse dia o local que me traz mais alegrias e tristezas, num misto de lugar de chegada a casa e de sinónimo de partida. Aquele meu lugar estranho.

Já passou um ano.

No início ouvi dizerem-me que achavam que eu não era capaz, que não pensavam que eu fosse conseguir, vi muitos duvidarem de mim, das minhas capacidades e da minha força. Não acreditavam no meu poder de decisão nem na minha independência. Questionavam(-me). Ainda hoje questionam. Não me conhecem.

Mas já passou um ano.

Toda a gente tem por hábito dizer que só custa no início, que o mais difícil é começar e que depois da adaptação tudo fica mais fácil. Pois tenho a dizer-vos, desenganem-se! Nada fica mais fácil com o tempo, nem mais suportável. Todos os dias sinto a mesma falta da minha família, da comida da mãe, do tempo com o pai, do aconchego do sofá de casa, dos almoços e dos jantares, dos passeios, das risadas, dos lugares comuns que tomava por garantidos e dos menos comuns que me acalmavam a alma. Sinto a mesma falta das rotinas, de ver o mar, de andar pela marginal da minha cidade, de passear pela ribeira, de me perder pelas ruas do Porto, de saber de cor as lojas dos shoppings, de sair de casa e ser-me tudo familiar e dessa sensação de reconforto. Sim, sinto falta de tudo isso e do resto. E podia estar aqui o resto da vida a enumerar que ainda assim faltaria sempre algo.

Mas apesar de tudo a sensação que sinto hoje não se compara à de um ano atrás. E isso é a única coisa boa. Vim para um lugar que me lembra um lugar seguro, conheci pessoas que sei, com todas as certezas, que as levo comigo para a vida, tenho o trabalho que ambicionei antes de cá chegar, e aprendi tanto quanto cresci. E é incrível olhar para mim mesma e ver o reflexo dessa mudança.

Depois deste tempo, de todos os obstáculos, de todas as rasteiras da vida (e de pessoas que me rodeiam) só posso concluir que sou mais forte do que penso e mais aventureira do que imagino. E se é verdade que conquistei muito também é verdade que tenho ainda muito mais para conquistar. E não vou desistir. Até porque passado este tempo e todos os precalços que ele me trouxe já não se pode chamar de desistir mas sim de mudar.

Resta-me agora acreditar que este ano foi só o primeiro passo, resta-me reencontrar alguma da minha força e recarregar baterias. Resta-me olhar em frente e traçar um novo caminho sem grandes planos. Pois, como diz a frase que levo como lema daqui... "A vida manda muito mais do que nós!".

E sim, já passou um ano.


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